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Roubo de cargas no Brasil e no mundo: o que mudou no último ano?

Ameaçando operações logísticas intercontinentais, o roubo de cargas é um risco impulsionado por diversos fatores. Entender este panorama é fundamental para enfrentar o problema. Confira! 

A pandemia de COVID-19 criou desafios atípicos durante o ano de 2020. Além dos riscos já tradicionais do setor, o transporte de cargas enfrentou problemas com bloqueios, suprimentos diminuídos e restrições de circulação. 

Enquanto alguns países viram as tendências de roubo de carga mudarem o foco para novos alvos e locais de alto valor, o Brasil ainda conta com o título de país com maior índice de ocorrências.

Isso é o que diz o estudo BSI and TT Club Cargo Theft Report 2021, que traz um panorama sobre os roubos de carga no mundo e o que mudou durante os últimos anos. O relatório tem o intuito de ajudar empresas, governos e associações a identificar, gerenciar e mitigar riscos da cadeia de suprimentos, e neste artigo destacamos seus principais pontos. 

Um panorama sobre o roubo de cargas no mundo durante 2020

Entre os principais países no ranking de roubo de cargas, temos Brasil, Índia, México, Alemanha, Rússia e o Reino Unido.

Transporte de cargas rodoviário representa 71% das ocorrências 

De modo geral, entre as modalidades de transporte de cargas no mundo, o transporte com caminhão ocupa 71% das ocorrências, sendo que a maior parte dos incidentes acontece em trânsito. Apesar disso, quando comparamos com os dados de 2019, observamos uma queda de 16%. 

Por outro lado, cresce o índice de ocorrências de roubos ou furtos em armazéns – principalmente na Ásia e Europa. 

Quanto ao tipo de carga, cerca de 31% dos artigos roubados recaem sobre o setor da alimentação e bebidas, seguidos pelos produtos de consumo (cerca de 10%), e os eletrônicos (9%). São também alvo de roubo os produtos relacionados com tabaco e álcool (8%) e os combustíveis (7%)

Outro índice que se destaca é a brutalidade durante as abordagens. Cerca de 31% das cargas foram acedidas com recurso à violência (hijacking), ou com ameaças ao transportador. No topo dos riscos, temos: 

  • Danos corporais;
  • Danos ao roubo das próprias cargas;
  • Danos reputacionais de um determinado operador; 
  • A criação de pânico social;
  • A quebra de equipamentos;
  • Bem como o consequente aumento dos custos com os seguros.

Novos riscos que merecem atenção 

Além das tendências impulsionadas pelos últimos eventos internacionais, vários outros problemas apresentam um risco cruzado para perdas de carga. Entre as principais preocupações estão corrupção na cadeia de abastecimento, contrabando de drogas e pessoas, e interrupções na continuidade dos negócios que criaram oportunidades para o crescimento do crime de carga. 

De acordo com especialistas, isso pode atrasar o andamento dos embarques através da cadeia de abastecimento e até mesmo resultar em uma perda total de mercadorias devido à violação da integridade da remessa.

Apesar de redução, o Brasil ainda é o país com maior incidência de roubo de cargas a nível mundial

Enquanto isso, na América do Sul, de acordo com o relatório, temos o Brasil com o maior número de ocorrências, liderando o ranking também a nível mundial.

A análise, porém, destaca que houve melhora comparada aos anos anteriores. Isso se deve a uma maior intervenção policial no desmantelamento de redes criminosas altamente especializadas, tendo alcançado reduções de 34% no Rio de Janeiro e cerca de 20% em São Paulo.

Seguindo a tendência mundial, no Brasil a alimentação e bebidas são o grande foco dos furtos (41%), seguidos pelo álcool e tabaco (10%) e os produtos de consumo (7%). 

Roubo de cargas na América Latina

Assim como o Brasil, a Argentina, Chile, Peru e, em menor medida, Colômbia, todos também enfrentam riscos de sequestro de caminhões de carga em trânsito – cerca de 66%. 

O sequestro é o método de roubo dominante em toda a região (61%), inclusive no Brasil, com ladrões também frequentemente empregando o uso de armas de fogo para render o motorista durante o roubo

Em relação às commodities roubadas na américa latina, os criminosos dão prioridade às remessas de alimentos e bebidas e produtos de álcool e tabaco. 

Outro fator específico da região é a droga ilegal, principalmente a cocaína, que costuma ser traficada globalmente por meio de cargas remessas. 

Além disso, a instabilidade política, especialmente nos últimos dois anos, contribui com eventos de protestos que têm o potencial de se tornarem violentos e impactarem os embarques de carga – risco mais proeminente na Venezuela, onde os manifestantes sequestram e atiram caminhões de carga em chamas durante tumultos. 

Outra questão relacionada à segurança da carga é o impacto econômico residual da COVID-19, que atingiu os países da América do Sul de maneira particularmente forte e pode acabar forçando mais pessoas a recorrerem ao crime para ganhar a vida. 

E por fim, embora limitado principalmente à Colômbia e ao Chile, o risco de terrorismo também tem o potencial de afetar a segurança da carga e apenas ressalta a necessidade de inteligência de risco abrangente a ser considerada nos planos de transporte de carga para mitigar as perdas.
Com informações: BSI and TT Club Cargo Theft Report 2021